Unidos pela zoeira

Nas eleições “A zoeira não pode parar”. Na copa do mundo “A zoeira não pode parar”. Nas empresas “A zoeira não pode parar”. Daí vem o jeitinho Brasileiro. Daí o clima de festa. Daí o carnaval fora de época. Daí o Tiririca mais votado do pais. Este é o nosso “Think Different”. É o que dita nosso comportamento em TODAS as ocasiões. E como isto é o que nos conduz o divertimento ofusca os resultados. Entregamos menos valor do que seria possível se nosso lema fosse outro. Somos pouco profissionais. A zoiera pouco se preocupa com quem é humilhado nas escolas, nas empresas ou na mídia. Nessa nossa cultura quem não aguenta a zoeira é fraco e vira motivo para ainda mais zoeira.

É triste, mas em 2013 o brasil foi para as ruas unido pela zoeira. Quando deixou de ser divertido não foi mais. E assim sendo fizemos da zoeira a nossa bandeira.image

O presente

Todos ganhamos um presente diariamente. O passado e o futuro querem tirá-lo de nós constantemente. E agora eles têm um grande aliado: os telefones celulares! Se você está na telinha você não está aqui. Você está lá. Sendo ludibriado pela tecnologia. Vivendo no mundo da fantasia onde cada um edita o filme da sua vida. Uma vida que na verdade não existe. Então entediado você se vê triste. Pois o que você não percebe, é que você mesmo permite que lhe roubem o seu maior presente. Um presente chamado… presente.

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O caminho de Santiago: um intensivão sobre a vida.

Há dois anos atrás, depois de assistir o filme The Way, pensei: um dia farei O Caminho de Santiago para me redescobrir. Naquela época eu já sentia que algo estava errado. Passei os anos seguintes tapando o sol com a peneira. Mas a vida não perdoa. Levei um tapa no pé do ouvido e enquanto o zumbido ainda era alto ouvi o chamado de Santiago e parti. Foram aproximadamente 800 km de caminhada em trinta e cinco dias. E embora não se possa ensinar a andar de bicicleta apenas com palavras, espero que minhas lições o deixe com vontade de abandonar as rodinhas sem medo de se estrepar no chão.

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A vida esta no controle

Eu costumo dizer que ao sair do Brasil eu não gostava do cara do espelho. O cara do espelho era um cara triste. Sem confiança.  Queria carregar o mundo nas costas. Se culpava por tudo. Viver culpado é como subir a ladeira com o freio de mão puxado. Só que a culpa é o freio da vida! Puxá-lo é fácil. Soltar é muito difícil. Você pensa que está no controle mas não está. E o cara do espelho queria controlar tudo e quando algo saia errado ele ficava nervoso.

Logo nos primeiros dias de caminhada senti muitas dores nos joelhos. No pior dia eu estava tão lento que um japinha, que parava para tirar foto de tudo, me passou umas cinco vezes. Na primeira ele disse: Hero (hello)! Parou para tirar foto, eu o passei, mas logo ouvi sua voz novamente: “Hero again!”. E outra vez. Outra vez. E outra! Ele aparentava mais de cinquenta anos e estava lento. Só não mais lento que eu. 

De fato, todos me passavam. Uns com cara de preocupação. Outros de dó. Então me irritei. Como um homem na minha idade não pode andar mais rápido? Como estes idosos conseguem andar bem melhor que eu? As respostas eram dadas pelos meus joelhos com pontadas de dor insuportáveis. Mas eu não tinha escolha. Só me restava continuar andando. Com o foco em mim novamente as dores diminuíram. Foi então que entendi. Primeiro, eu não estava em uma corrida. Meu objetivo era chegar em Santiago de Compostela. Segundo, eu não controlo o que está ao meu redor. No máximo controlo a mim mesmo. Eu precisava focar na minha caminhada pois qualquer pedrinha no chão mudava meu movimento e fazia a dor aumentar. Assim é na vida. Muita coisa que está ao redor a gente não controla. É preciso olhar para dentro e não para fora. Você não está no controle, a vida está! Ela pune quem se engana e presenteia quem é fiel a si mesmo!

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O mundo é movimento

Para ser feliz é preciso soltar os freios da vida. A culpa era o meu freio. Qual é o seu? A gente sabe que ficar parado não nos leva a lugar algum. Mas estamos tão acostumados a paisagem que vemos daqui que temos medo de atravessar a caverna escura. Tudo que você precisa é dar um passo após o outro. As coisas nunca são como a gente imagina. Nem para o bem, nem para o mau. Quando você parte rumo a caverna tudo muda. Seus olhos se acostumam com a escuridão e você vê melhor. Percebe que a lua também oferece luz suficiente. E se olhar para o lado verá que não está sozinho.

No Caminho de Santiago andar sozinho tem suas vantagens. Você tem tempo para pensar. E como está fora da rotina pensa no que realmente importa. Mas a noite é diferente. É importante socializar. Encontrar pessoas e fazer as perguntas básicas: como se chama e porque você está aqui? As histórias são impressionantes. Mas isso não acontece se ao chegar no Albergue você enfiar a cabeça no saco de dormir.

Naquela noite, sentado no banco da praça pensei: que dia chato! Eu não tinha encontrado ninguém com que eu pudesse iniciar uma conversa. Então pensei: se eu ficar aqui parado terei que viver esta monotonia até a hora de dormir. Então resolvi me levantar e simplesmente andar pela cidade. De repente ouvi uma voz: Beck?! Era a Andrea me chamando para tomar um vinho. E a noite foi bastante agradável. 

Neste exato momento a terra gira ao redor no sol numa velocidade aproximada de 107 mil km por hora! Desde o Big Bang o mundo está em expansão. Estrelas nascem. Estrelas morrem. Pessoas nascem. Pessoas morrem. O movimento é a tendência natural das coisas que só cessa com o atrito. E nós estamos em atrito constante com nossas vidas. Mantenha-se em movimento e o mundo lhe devolverá exatamente o que você precisa.

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Não tenha expectativa

No caminho, durante o dia você sabe que tem que andar. Mas as noites são sempre desconhecidas. Não se conhece a cidade. Não se conhece o Albergue. Não se conhece o restaurante. Não se sabe com quem será o jantar. Mas, mesmo com tantas dúvidas, as noites eram surpreendentes. Tantas conversas. Tantas pessoas diferentes. Tanta cultura. Tanto vinho. Ah o vinho. Nunca ri tanto como na noite em que Pedro tomou um porre e resolveu parar qualquer um na rua dizendo: “Eu parle France very well.”

Muitas pessoas escolhem não ter expectativa para evitar a frustração. Entendo o fim mas discordo do meio, pois pensar desta forma nos faz acionar os freios. Cruzamos os braços esperando as coisas cairem do céu. Se não cair tudo bem!  Por outro lado, se você não tiver expectativas e ainda assim se mexer, algo sempre vai acontecer. E pode ter certeza que não será como você imagina. Será melhor. Você vai pensar que é sorte, mas neste exato momento as oportunidades estão lhe esperando em algum lugar.

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 A jornada é a recompensa

Foram trinta e cinco dias andando. Poucos com chuva. Muitos com sol. Ora sob o canto dos pássaros. Ora ao som dos meus passos. Ora a água cantava em voz baixa. Ora a mochila roçando minhas costas falava mais alto. Ora minha voz ecoava. Ora a voz do meu companheiro do dia a completava. Ora eu olhava para o chão. Ora para os lados. Ora eu parava e olhava para trás a contemplar mais uma etapa vencida. 

Pouco antes de chegar a Santiago avistei uma frase no chão: “e depois”? Fiquei pensando nisso por um bom tempo: e depois? Em Santiago eu não pensava em Santiago.  Não pensava no objetivo alcançado. Não pensava no fim. Eu pensava nas histórias. Nos encontros. No caminho. Nas lições. Na jornada. A jornada que me fez abandonar os meus medos. A jornada que me fez abandonar a minha culpa. A jornada que me mostrou que eu não controlo nada. A jornada que me mostrou que a vida esta no controle e o máximo que posso fazer é me mexer para ver o que ela me devolverá. Eu parti em busca de um objetivo e finalmente entendi, que no fim, a jornada é a recompensa! E a vida, este presente que insistimos em menosprezar, nada mais é que uma jornada. Um dia o fim chegará mas não importa. O que importa é como foi o seu caminho.

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Observar para criar

Descartamos, sem experimentar, o que não nos parece bom o suficiente. Investimos todo nosso tempo e energia no que seria a solução ideal. Fazemos isto porque acreditamos que somos bons em prever os resultados. Porém, somos bons mesmo em dar soluções através da observação. Por isso vale a pena experimentar mesmo que, intuitivamente, lhe pareça que não funcionará tão bem. Muitas soluções intuitivas vêm de ideias contra-intuitivas. É preciso aceitar a imperfeição na busca da perfeição pois a evolução é uma condição necessária a ela.

Know yourself

If you don’t know yourself you cannot see when you’re right or when you’re wrong. Sure you have one perspective but you can’t analyze that. You don’t know where it comes from. You’re just a slave from a chemical process that carries out the emotion throughout all your body. Invading your chest. Filling out your heart. Hijacking your brain. You feel the world is odd to you, but it’s just you that is upside down. But you can’t see it. You just can’t see it.

E o fim do “Animemorfismo”, quando virá?

Estas animações do iOS 7 nas telas das ligações estão ficando muito boas. Parecem mesmo melhorar a experiência. 

Será que chegará o dia em que o mercado dirá não as animações alegando que são desnecessárias também? Seria o fim do “Animemorfismo”? Tal movimento Animation-free seria o equivalente ao Flat Design? Por quê não?

Penso que se por um lado o argumento do Flat Design sobre o aprendizado dos usuários é plausível, por outro, parece-me o tipo de teoria que vem só depois do fato. Uma maneira de explicar algo que deu certo por motivos inexplicáveis. O ato de racionalizar. Apenas uma teoria igual a todas as teorias onde probabilidade da verdade está mais na coerência dos argumentos do que nos fatos. 

São teorias que, paradoxalmente, vêm depois da prática. Isto só porque as pessoas precisam de uma explicação. O líder não precisa, mas os seguidores sim. E não importa se é verdade desde que atinja seu objetivo. Outros exemplos de teorias deste tipo são Web 2.0, Folksonomia  e, inclusive, este post.

Conversa de Icebergs

Temo quando vejo todo mundo concordando numa reunião de trabalho. Quando paro e observo tenho a nítida impressão que o entendimento é apenas superficial. As pessoas fazem isso porque tendem a evitar o confronto. O protocolo social inibe a racionalidade. Então acenam positivamente com a cabeça. Vivem dizendo “isso mesmo” quando não estão pensando nada daquilo. Mostram sorrisos superficiais enquanto escondem pensamentos profundos. É uma conversa de Icebergs: só se conhece o topo e deduz que se sabe tudo. 

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Sempre que você ver as pessoas concordando observe de fora conscientemente. Esteja atento. Faça um esforço. Então você aprenderá a ouvir o “concordo” mas enxergar o “não concordo”. Como disse Peter Drucker: “O mais importante na comunicação é ouvir o que não foi dito.”

Trecho do livro: Zen e a arte da manutenção de motocicletas

Quanto mais geral for um fato, mais valor terá. Aqueles que acontecem com maior freqüência são melhores do que os que raramente acontecem. Por exemplo, os biólogos jamais conseguiriam construir uma ciência se só existissem indivíduos, e não espécies, e se a hereditariedade não fizesse com que os filhos se parecessem com os pais.

Quais são os fatos que têm mais probabilidade de tornarem a acontecer? Os fatos simples. Como reconhecê-los? Escolha-se aqueles que pareçam simples. Das duas, uma: ou a simplicidade deles é genuína, ou os elementos complexos não são distinguíveis. No primeiro caso, certamente encontraremos esse fato simples outra vez, isolado ou funcionando como elemento de um fato complexo. O segundo caso também tem grande possibilidade de se repetir, porque a natureza não dá origem a esses casos assim à toa.

Onde está o fato simples? Os cientistas o procuraram nos dois extremos, no infinitamente grande e no infinitamente pequeno. Por exemplo, os biólogos instintivamente foram levados a considerar a célula mais interessante do que o animal inteiro; e, desde a época 267 

de Poincaré, a molécula protéica é mais interessante do que a célula. Os resultados comprovam a eficácia de tal procedimento, uma vez que as células e moléculas de organismos diferentes provaram ser mais semelhantes entre si do que os próprios organismos.

Como, pois, escolher o fato interessante, aquele que está incessantemente acontecendo? O método consiste precisamente nessa escolha dos fatos; portanto, o primeiro passo deve ser a criação de um método. E muitos já foram idealizados, porque nenhum é absoluto. É mais prudente começar com fatos corriqueiros, mas após o estabelecimento de uma regra comprovada, os fatos que se adequarem a ela ficarão sem sentido, porque já não transmitirão nenhum conhecimento novo. Aí a exceção é que se torna importante. Nós não buscamos as semelhanças, mas sim as diferenças mais acentuadas, por serem as mais gritantes, e também as mais instrutivas.

Primeiro, buscamos os casos em que esta regra tem mais probabilidade de falhar. Distanciando-nos bastante no espaço e no tempo, poderemos descobrir que nossas regras normais foram completamente subvertidas. E essas grandes reviravoltas nos permitem enxergar as pequenas mudanças que podem ocorrer mais perto de nós. Aquilo a que deveríamos visar, porém, não é tanto a determinação de semelhanças e diferenças, mas sim a detecção de semelhanças ocultas sob aparentes divergências. A primeira vista, as regras individuais parecem ser discordantes, mas se as examinarmos com atenção, constataremos que em geral elas se parecem; são diferentes na substância, mas semelhantes na forma, na ordenação de suas partes. Ao encará-las sob esse prisma, teremos a surpresa de vê-las aumentarem e abrangerem o todo. E é nisto que consiste o valor de certos fatos que vêm completar a montagem de uma estrutura e mostrar que ela é a imagem fiel de outras estruturas conhecidas.

Não, concluiu Poincaré, o cientista não escolhe ao acaso os fatos a observar. Procura condensar bastante experiência e bastante reflexão num volume fino, e é por isso que qualquer livrinho de física contém tantas experiências passadas e mil vezes mais experiências possíveis, com resultados previstos.

Qualidade visual e qualidade de interação

A qualidade final é um feedback continuo entre sujeito e objeto. Num primeiro instante o feedback é visual: você (sujeito) sente algo e julga quando observa algo (objeto). Num segundo instante o feedback é baseado na interação: você sente algo e julga quando mexe em algo. Portanto, se o sujeito (você) está diante de algo (objeto) que mais observa do que interage a estética visual terá o maior peso na qualidade final. Mas se você está diante de algo que mais interage do que observa as interações terão o maior peso na qualidade final. 

Great artists steal

Acho que eu também veria com maus olhos a cópia que a Apple fez da concorrência, mas como sou fanboy defenderei a cópia usando algumas analogias 

Imagine que sua missão é construir um carro e para isso você pega o motor de um, a direção de outro, a transmissão de outro, etc. Você tera o melhor carro do mundo por isso? Claro que não! Porque mais importante do que as partes isoladas é como elas funcionam juntas! 

Então a Apple usou referências dos concorrentes. O mérito, se houver, estará na maneira como estas coisas TODAS se encaixam! O mérito estará no contexto em que elas foram aplicadas. A mágica é dinâmica. A mágica acontece nas intercessões. A mágica é viva.

Se algo é semelhante é porque não é igual e pequenas nuances podem ser a diferença entre o sucesso e o fracasso. Tais como todos os outros Smartphones antes do iPhone. Todos os MP3 Players antes do iPod. Todos os Tablets exceto o iPad. A Apple não inventou nada disso! 

O segredo da cópia é olhar a receita, misturar diferente e aplicar seus próprios ingredientes. Você pode ter inventado o prato, mas alguém mais talentoso irá copiá-lo e deixar mais saboroso! E é assim que as coisas evoluem.